Contador cada vez mais parceiro na tomada de decisões
De acordo com o dicionário a palavra contabilidade é a ciência teórica e prática que estuda os métodos de cálculo e registro na movimentação financeira de uma firma ou empresa, e um contabilista tem por atividade a escrituração. Mas, um profissional atento aos novos rumos das micro e pequenas empresas, deve se preparar para atender não só serviços fiscais, como também disponibilizar conhecimentos que possam auxiliar na gestão empresarial, elaborando diagnósticos para seus clientes.
Uma forma de se atualizar das especificidades do mercado é "Contabilizando o Sucesso". Não se trata de um grupo de auto-ajuda, e sim de um curso para ajudar o contabilista a mudar mentalidades e atitudes, fazendo ressurgir um profissional mais preparado para receber seus clientes. O projeto proporciona aos contabilistas as condições de exercerem uma atividade diferenciada, voltada para a gestão empresarial e elaboração de diagnósticos para suas empresas clientes.
Na Paraíba, desde 2003 o curso, que tem duração de 208 horas, vem capacitando profissionais filados ao Conselho Federal de Contabilidade (CFC), que atendem as micro e pequenas empresas. No total já são cinco turmas formadas, sendo que a última está com o encerramento marcado para o dia 4 de janeiro, e 106 contabilistas aptos a prestarem consultorias. A capacitação é oferecida pelo Sebrae e o CFC em todo o Brasil.
O programa tem ajudado os contabilistas a despertar funções como o controle de documentos de despesas e receitas, os valores patrimoniais, avaliação de contas de forma a determinar os impostos que devem ser pagos ao Estado, elaboração de pareceres e aconselhar gestores.
Irauna Rocha, contabilista desde 2003, já tinha conhecimento do programa e já está colhendo os frutos antes mesmo de encerrar as atividades do curso. "Estou fazendo consultorias no Sertão e também ampliando minha rede de contatos, pois estou interagindo com vários profissionais que estão fazendo o curso", afirma.
De acordo com o Sebrae, cerca de 22% dos empreendimentos fecham antes de completarem dois anos, devido a vários motivos, entre eles a excessiva burocracia, taxa de juros e principalmente a ausência de conhecimentos gerenciais.
A coordenadora do Conselho Regional de Contabilidade, Elza Dantas de Albuquerque teve seu primeiro contato com o "Contabilizando o Sucesso" em 2003, onde recebeu o treinamento em Brasília. Ela já está vendo os resultados positivos para as micro e pequenas empresas. "O programa tem ajudado a desenvolver uma consultoria nas empresas, fazendo diminuir a mortalidade", enfatiza.
Segundo Cláudio Soares, consultor do Sebrae Paraíba e interlocutor do "Contabilizando", já existem novas metas para 2008. "Entre as estratégias para o próximo ano está à formação de uma nova rede que agregará todos os profissionais que concluíram o curso, com a articulação de Elza Dantas", revela.
Cada empresa, pequena, micro ou grande e até mesmo profissionais autônomos têm em comum um profissional quase personalizado: o contador. No Estado de São Paulo, são 18 mil empresas contábeis, das quais dez mil geridas por uma única pessoa. As outras oito mil são sociedades profissionais com dois ou mais contadores. No todo, são 110 mil contabilistas no Estado. No Brasil, existem 70 mil empresas de contabilidade e 440 mil contabilistas, segundo o Conselho Regional de Contabilidade (CRC).
A maior demanda é por serviços básicos: escrita fiscal (livros fiscais), departamento de recursos humanos (folha de pagamento e encargos) e a contabilidade propriamente dita, requerida por legislação, explica o vice-presidente do CRC-SP, Domingos Orestes Chiomento: "A contabilidade dá segurança ao cliente no que diz respeito às ocorrências imponderáveis: a morte de um dos sócios, a separação de sócios-cônjuges, a apuração de roubos e fraudes internas".
Para o vice-presidente do CRC-SP, a contabilidade estabelece uma série de informações que facilitam os usuários na tomada de decisões de compra, venda e investimento: "Antes, nós éramos um mal necessário que as empresas tinham que suportar". A analogia é fácil de entender: a contabilidade representa despesa e o custo/benefício não é favorável. Gasta-se para escriturar os atos contábeis e, com isso, taxas, impostos e encargos terão de ser pagos pelas empresas porque está registrado em sua vida contábil. Os livros fiscais, o livro-razão e o livro-caixa são verdadeiros testemunhos da vida financeira das empresas, sejam micro, pequenas, médias ou grandes. Inflação alta
Antes, o problema é que a escrituração era contagiada pela inflação alta e isso tornava a contabilidade um osso duro de roer. Com a estabilização da moeda, as informações também estão mais equilibradas e o contador passa a ter um papel cada vez mais importante no contexto dos negócios, acredita Chiomento. Com a moeda sem grandes oscilações e com a crescente informatização de órgãos governamentais de arrecadação e de fiscalização, todas as informações são cruzadas: a Receita Federal, a declaração do Imposto de Renda, os documentos de arrecadação federal (os famosos DARFs) e as declarações de ajustes são todas interligadas: "Isso tudo tem de fechar sob pena de o contador responder por irregularidades". São os contadores que assinam os balancetes e balanços das empresas e, em última instância, responderão legalmente pelas informações sobre as empresas se houver fraude.
O próximo passo da contabilidade são as notas fiscais eletrônicas e o sistema público de digitação eletrônica da escrituração contábil: "É um avanço sem precedentes na evolução contábil e mudará para sempre o perfil do contabilista". A partir do ano que vem, todas as notas fiscais do cigarro já serão eletrônicas e a revolução da contabilidade começará de fato. Somente a fabricante de cigarros Souza Cruz emite oito milhões de notas fiscais por ano.